Quinta-feira, 02 de Setembro de 2021 - 17:02:11hs
Arte Rupestre de Alcinópolis: Um museu a Céu aberto sobre a arqueologia do pensamento simbólico.
O significado, a interpretação e a função dessas inscrições...
Os estudos sobre o passado arqueológico de Mato Grosso do Sul tiveram início na década de oitenta do século passado. Desde então, um significativo potencial científico foi evidenciado com a descoberta e registro de mais de mil sítios arqueológicos, os quais indicam uma antiga, diversificada e expressiva ocupação humana no território estadual que, em alguns locais, remonta a mais de dez mil anos.
Essas populações pré-históricas, ao contrário do que se costuma pensar, desenvolveram complexos sistemas de compreensão e simbolização da realidade. Por meio de variados e densos sistemas de grafismos, denominados “arte rupestre”, alguns desses povos deixaram suas representações do mundo material e imaterial grifadas em lajes de pedra e paredes de cavernas e abrigos sob rocha dispersos por vários municípios no interior do estado, sobretudo em Alcinópolis. Estudar essas manifestações simbólicas é o que podemos chamar de Arqueologia do Pensamento, da Mitologia, ou ainda, da Arte e da Criatividade.
O significado, a interpretação e a função dessas inscrições rupestres arqueológicas são ainda desconhecidos e estão sendo objetos de estudos por especialistas de várias disciplinas científicas. Alguns desses painéis de “arte rupestre” demonstram elevada qualidade estética e estilística. As técnicas utilizadas pelos “artistas” pré-históricos fizeram uso de materiais disponíveis naturalmente, tais como óxidos de ferro e outros pigmentos minerais, bem como bastões de carvão, pigmentos esses, algumas vezes, diluídos em água e óleos vegetais ou animais. Quanto à temática, as motivações foram variadas, percorrendo preocupações mitológicas, demarcação territorial, xamanismos, etc. Os signos empregados foram predominantemente abstratos, outros, em menor quantidade, reproduziam motivos figurativos, sobretudo zoomorfos, isolados ou em conjuntos articulados e, mais raramente, apareciam também estilizações antropomorfas. Esses grafismos eram geralmente monocromáticos, predominando variações de tons avermelhados, alaranjados e ocres, menos comuns eram, pela ordem, o amarelo, o preto e o branco.
Pela legislação vigente, todo local que contém vestígios arqueológicos é considerado patrimônio cultural do país e é automaticamente tombado como bem da União Federal, na condição de sítio arqueológico. Esses locais abrigam em seu interior as únicas informações disponíveis sobre as origens da ocupação humana em um determinado lugar. Somente com a preservação desses contextos é que será possível para a Ciência reconstruir o processo histórico de produção de um determinado horizonte sócio-cultural arqueológico.

Gilson Rodolfo Martins
Emília Mariko Kashimoto
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