Quarta-feira, 15 de Abril de 2026 - 19:14:43hs
Iagro autoriza comercialização de novos agrotóxicos em MS
.
Portarias publicadas no DOE (Diário Oficial do Estado) desta quarta-feira (15) autorizam o registro e a comercialização de novos agrotóxicos em Mato Grosso do Sul. As medidas foram adotadas pela Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) e abrangem defensivos agrícolas voltados ao controle de fungos e ervas daninhas.
Entre os produtos aprovados estão os fungicidas Lisor e Erradicur Max, ambos da empresa Tecnomyl, além do herbicida 2,4-D 240 Picloram 64 SL, da Inovatis.
Em 2025, propriedades rurais do Estado utilizaram cerca de 43 milhões de litros e 17 mil toneladas de agrotóxicos. Desse total, 5,9 milhões de litros estavam classificados como altamente ou extremamente tóxicos.
Classificação e segurança
A maior parte dos novos produtos foi classificada como improvável de causar dano agudo, conforme os parâmetros toxicológicos vigentes. No entanto, o herbicida à base de picloram e 2,4-D foi enquadrado como pouco tóxico.
Além das novas liberações, a Iagro também oficializou alterações em registros já existentes, permitindo a ampliação de uso para novos alvos biológicos e culturas, como soja e trigo, em produtos das empresas FMC Química e Proventis Lifescience.
No Estado, o controle e a autorização para uso de agrotóxicos são centralizados na Iagro e no Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). A comercialização exige registro estadual e emissão de receita agronômica. Além disso, Mato Grosso do Sul segue as normas federais de fiscalização, armazenamento e venda, incluindo a obrigatoriedade do sistema e-Saniagro. A atividade é regulamentada pela Lei Estadual nº 5.968/2022.
Contaminação em MS
Em 2025, um dossiê elaborado pela Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e pela ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca) apontou os impactos dos agrotóxicos na saúde reprodutiva, com destaque para áreas de conflito indígena em Mato Grosso do Sul, como a região de Caarapó.
Segundo o estudo, análises realizadas com amostras coletadas entre 2020 e 2021 na Terra Indígena Tirecatinga identificaram contaminação por agrotóxicos em diferentes materiais, como água da chuva, água de poço, rios, plantas medicinais, frutos do Cerrado, alimentos, peixes, caça e mel.
Os resultados indicaram presença de resíduos em 90% das amostras, com detecção de 11 tipos diferentes de agrotóxicos, média de quatro substâncias por amostra. Entre eles, cinco (45%) são proibidos na União Europeia.
Há ainda relatos de redução na produção de frutas e adoecimento de animais em períodos de intensa pulverização nas lavouras do entorno da terra indígena.
MidiaMax
AVISO: Neste site, utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao navegar por este portal você aceita os termos de utilização. Para maiores informações acesse nossa Politicas de Uso.