Quinta-feira, 23 de Julho de 2026 - 16:03:27hs
Safra em Jataí: seca causa prejuízo de R$ 500 mi
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Safra em Jataí: perdas severas e alerta
A safra em Jataí enfrenta um dos cenários mais desafiadores da sua história recente devido a um severo período de estiagem que comprometeu o desenvolvimento das lavouras no Sudoeste Goiano. O estresse hídrico prolongado, que ultrapassou 60 dias sem precipitações significativas em diversas regiões do município, provocou uma frustração expressiva na safrinha de milho, trazendo forte apreensão para produtores rurais, cooperativas e empresas do setor.
Em entrevista exclusiva concedida ao comunicador agro Leonardo Freitas, o produtor rural e Secretário Municipal de Desenvolvimento Rural de Jataí, Ricardo Goulart, detalhou a gravidade da situação em campo, os impactos econômicos bilionários para a região e as estratégias urgentes que vêm sendo adotadas para proteger o agronegócio local diante da iminente safra de soja.
Estresse hídrico e a drástica quebra na safra de milho
A falta de chuvas em momentos decisivos do ciclo fenológico da cultura do milho inviabilizou o potencial produtivo das lavouras. Segundo levantamentos de campo realizados em parceria com entidades do setor, a estiagem severa castigou de forma homogênea a região, afetando até mesmo as propriedades altamente tecnificadas.
“Quando a gente começou a conversa dentro da sala de reuniões, a visão era uma. Quando foi a campo e começou a ver algumas informações, fotos e vídeos de lavouras, foi mais preocupante do que a gente imaginava. Realmente essas perdas foram muito acentuadas. O município de Jataí sofreu bastante com a falta de chuvas para o desenvolvimento da segunda safra”, revelou Ricardo Goulart durante a conversa exclusiva com Leonardo Freitas.
De acordo com dados oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) citados durante a entrevista, houve localidades em Jataí onde as precipitações cessaram ainda no início de abril, retornando de forma tímida apenas no final do mês de maio.
“Temos dados oficiais em que as chuvas cessaram no dia 8 de abril e foram voltar a chover no final de maio. Você pega plantas que estavam ali com 30, 40 dias e ficaram sem chuva por mais de 40 dias. Isso comprometeu diretamente o desenvolvimento dessas lavouras”, explicou o secretário.
Mapeamento dos Danos na Safrinha de Milho em Jataí:
├── Perda Média Estimada: 30% a 50% da produção
├── Picos de Perda em Propriedades Severas: Até 80%
├── Produtividade Anterior (2025): ~125 sacas/hectare
└── Produtividade Prevista (2026): 70 a 80 sacas/hectare
A dimensão do prejuízo fica evidente quando se compara o desempenho atual com o ciclo passado. Enquanto no ano anterior Jataí registrou médias expressivas na casa de 125 sacas por hectare, o ciclo atual deve fechar com médias caindo para 70 a 80 sacas/ha, patamar insuficiente para cobrir os elevados custos operacionais da lavoura.
O expressivo prejuízo no agronegócio e seus desdobramentos na economia localO reflexo da quebra de produtividade vai muito além da porteira da fazenda, gerando um efeito dominó que afeta o comércio, a prestação de serviços e a arrecadação de todo o município. Jataí é um dos pilares da agricultura goiana, representando sozinho cerca de 16% da produção estadual de milho.
O prejuízo no agronegócio regional atinge cifras alarmantes:
R$ 300 milhões de prejuízo direto: Cálculo referente apenas às áreas plantadas dentro da janela ideal de cultivo.Mais de R$ 500 milhões em perdas globais: Soma que inclui as lavouras implantadas em janelas tardias ou de maior risco climático.Margens zeradas: Com custos de produção projetados na casa de 100 sacas por hectare, a maioria dos produtores trabalhará no limite do ponto de equilíbrio ou no prejuízo absoluto.“Essa quebra vai impactar severamente na questão econômica. Diretamente, são R$ 300 milhões que vão deixar de circular na economia, isso considerando o que foi plantado dentro da janela ideal de plantio. Fora aquilo que foi plantado por produtores que arriscaram no mês de março. Estimamos perdas no município que passam dos R$ 500 milhões de reais devido a essa frustração da safrinha”, pontuou Ricardo Goulart.
Além do fator climático, o cenário mercadológico agravou a rentabilidade. O enfraquecimento das exportações goianas de milho — impactado por instabilidades geopolíticas internacionais e barreiras logísticas — represou o grão no mercado interno. Mesmo com a demanda de indústrias locais de processamento de etanol de milho na região, a oferta volumosa no país impede uma reação expressiva nos preços praticados no balcão.
“Durante conversas na Aprosoja em Brasília, foi pontuado o seguinte para essa safra: fazer um plantio consciente. É uma redução de investimento, mas de forma bem inteligente, conversada e alinhada com consultoria. Fazer o ‘feijão com arroz’, manter a estrutura do solo, mas cortar exageros que eram feitos pensando unicamente em uma superprodução”, destacou Ricardo Goulart.
O secretário destacou que a área destinada à soja em Jataí deve se manter estável, consolidada na casa dos 350 mil hectares, com margem para expansões pontuais. O foco principal do agricultor, no entanto, mudou de patamar.
“Mais do que produzir o máximo, é preciso fazer uma lavoura rentável e lucrativa. Não adianta colher 100 sacas gastando 95. É muito melhor colher 80 sacas gastando 60. O custo operacional hoje representa muito, o combustível é um grande vilão, e qualquer manutenção de maquinário começa em patamares elevados. Precisamos ser conscientes em cada gasto para ter rentabilidade lá na frente”, alertou.
Avaliação de culturas alternativas para o Sudoeste Goiano
Com a volatilidade do milho, o produtor de Jataí busca alternativas para diversificar a segunda safra. No entanto, Ricardo Goulart reforça que qualquer mudança de cultura exige cautela agronômica e análise de viabilidade econômica:
Sorgo e Milheto: Mostraram avanço e bom desempenho no município por exigirem menor aporte financeiro. O sorgo, em especial, apresentou cotações atrativas em relação ao milho.
Girassol: Apresenta bom potencial em outras regiões do estado, mas mantém forte instabilidade agronômica local, exigindo cautela antes de grande expansão de área.
Amendoim: Uma alternativa interessante para solos mais arenosos, contudo a cultura exige investimentos específicos e segue em estágio embrionário na região sudoeste.
Gergelim: Testado pontualmente, mas ainda carece de estrutura logística, beneficiamento industrial e garantias de comercialização para se consolidar como opção de escala.
O suporte jurídico do decreto de situação de emergência em Jataí
Para respaldar legalmente os produtores rurais afetados pela seca e evitar uma crise de inadimplência generalizada na região, o Sindicato Rural de Jataí formulou um consistente laudo técnico comprovando as perdas provocadas pelo clima. O documento embasa o pedido do decreto de situação de emergência, que já tramita nos órgãos municipais.
O levantamento auditou rigorosamente as lavouras implantadas dentro do zoneamento e da janela ideal de cultivo (até 28 de fevereiro), atestando perdas superiores a 50% na média municipal.
“O laudo técnico comprova que são eventos externos à capacidade de gestão do produtor. Ninguém planta pensando em não colher. Como vou controlar o tempo? Esse decreto vai respaldar o produtor rural em negociações bancárias, com comercializadoras e cooperativas, para minimizar os danos diante deste cenário economicamente difícil”, explicou o Secretário Ricardo Goulart.
O laudo já foi protocolado na Procuradoria Geral do Município e entregue diretamente ao Prefeito de Jataí, contando com aval célere das secretarias competentes e da Defesa Civil para homologação nos próximos dias.
Para atravessar o momento de adversidade na safra em Jataí, a Secretaria de Desenvolvimento Rural e especialistas orientam:
Auditoria do Custo de Produção: Mapear rigorosamente cada gargalo operacional na fazenda.
Renegociação Consciente: Utilizar o amparo do laudo técnico e do decreto municipal para repactuar compromissos financeiros sem comprometer o histórico de crédito.
Planejamento Focado em Margem: Implementar o plantio consciente de soja, priorizando o equilíbrio nutricional do solo e o manejo defensivo essencial.
A expectativa do setor é que, com planejamento técnico, prudência financeira e o devido respaldo institucional, o agronegócio de Jataí consiga superar as adversidades climáticas e manter sua posição de liderança na produção agrícola nacional.
Fonte: Rio Verde Rural
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